Urban mobility in the municipality of Funchal is marked by structural challenges arising from its rugged topography, the strong presence of tourism, and a consolidated urban infrastructure that has historically favored the automobile over non-motorized modes of transport. This project starts from the observation that the city faces a growing dependence on individual transport, evidenced by the continuous increase in the vehicle fleet and traffic on the main roads, while the public transport system remains practically unchanged and offers insufficient coverage in higher-altitude areas. The pressure of tourist flows, especially during peak season and on cruise ship arrival days, adds a further layer of complexity to this scenario, generating displacement patterns that compete with residents' commuting flows for the same road infrastructure. Given this context, the research aims to analyze mobility patterns in Funchal through the collection and interpretation of digital and geographic data, based on the premise that sustainable urban planning depends not only on engineering solutions but on a territorial reading grounded in data that reflect the reality experienced by residents. The investigation combines institutional statistical information, geospatial data from open platforms such as OpenStreetMap and Mapillary, and a survey applied to the academic community of the University of Madeira, chosen for sharing a common destination and a diversity of geographic origins that reproduces, on a smaller scale, the territorial heterogeneity of the city. The results confirm a strong polarization between bus and car use, with active modes of transport practically absent from daily commutes, while also identifying the main congestion hotspots and the coverage gaps in the public transport network. In addition, the work incorporates insights gained from an internship carried out at a Foundation and European Association responsible for managing a historic slow-mobility and sustainable tourism route, an experience that reinforces the idea that data generated by the territory's own users can feed more participatory and continuous planning processes, in contrast to traditional statistical collection methods, which are costly, sporadic and poorly attuned to the everyday dynamics of mobility. Based on this diagnosis, the development of MatchMobility Madeira is proposed, as a digital co-mobility and geospatial analysis platform designed to integrate, within a single system, the informal carpooling networks already present in the community, public transport and the island's historic pedestrian infrastructure. The proposal does not aim to replace public transport or impose an abrupt behavioral change, but rather to create the conditions for a gradual and advantageous transition toward more sustainable mobility patterns, while continuously and automatically generating data useful for the municipality's urban planning. In this way, the work seeks to demonstrate that the integration of digital data, geographic territorial analysis, and the perspective of the users themselves constitutes a viable path for rethinking mobility in Funchal, balancing the needs of residents with the economic reality of a city heavily dependent on tourism.

A mobilidade urbana no concelho do Funchal é marcada por desafios estruturais decorrentes da sua topografia acidentada, da forte presença do turismo e de uma infraestrutura urbana consolidada que historicamente privilegiou o automóvel em detrimento dos modos não motorizados. Este trabalho de projeto parte da constatação de que a cidade enfrenta uma dependência crescente do transporte individual, evidenciada pelo aumento contínuo da frota de veículos e do tráfego nas principais vias, enquanto o sistema de transporte coletivo permanece praticamente inalterado e com cobertura insuficiente nas zonas de maior altitude. A pressão do fluxo turístico, sobretudo nos períodos de alta temporada e nos dias de escala de cruzeiros, acrescenta uma camada adicional de complexidade a este cenário, gerando padrões de deslocamento que competem com os fluxos pendulares dos residentes pela mesma infraestrutura viária. Diante desse contexto, a pesquisa tem como objetivo analisar os padrões de mobilidade no Funchal por meio da coleta e interpretação de dados digitais e geográficos, partindo da premissa de que o planejamento urbano sustentável depende não apenas de soluções de engenharia, mas de uma leitura territorial fundamentada em dados que reflitam a realidade vivida pelos residentes. A investigação combina informações estatísticas institucionais, dados geoespaciais provenientes de plataformas abertas como OpenStreetMap e Mapillary, e um questionário aplicado à comunidade acadêmica da Universidade da Madeira, escolhida por possuir um destino comum e uma diversidade de origens geográficas que reproduz, em escala reduzida, a heterogeneidade territorial da cidade. Os resultados obtidos confirmam uma forte polarização entre o uso do autocarro e do automóvel, com os modos ativos praticamente ausentes dos deslocamentos cotidianos, além de identificar os principais pontos críticos de congestionamento e as lacunas de cobertura da rede de transporte público. Complementarmente, o trabalho incorpora reflexões obtidas a partir de um estágio realizado em uma Fundação e Associação europeia ligada à gestão de um itinerário histórico de mobilidade lenta e turismo sustentável, cuja experiência reforça a ideia de que dados produzidos pelos próprios usuários do território podem alimentar processos de planejamento mais participativos e contínuos, em contraste com os métodos tradicionais de coleta estatística, que são caros, esporádicos e pouco sensíveis às dinâmicas cotidianas da mobilidade. A partir deste diagnóstico, propõe-se o desenvolvimento do MatchMobility Madeira, uma plataforma digital de co-mobilidade e análise geoespacial pensada para integrar, em um único sistema, as redes informais de boleia já existentes na comunidade, o transporte coletivo e as infraestruturas pedonais históricas da ilha. A proposta não busca substituir o transporte público nem impor uma mudança comportamental abrupta, mas criar condições para que a transição rumo a padrões de mobilidade mais sustentáveis ocorra de forma gradual e vantajosa para os usuários, ao mesmo tempo em que gera, de forma contínua e automatizada, dados úteis para o planejamento urbano do concelho. Dessa forma, o trabalho busca demonstrar que a integração entre dados digitais, leitura geográfica do território e a perspectiva dos próprios usuários constitui um caminho viável para repensar a mobilidade do Funchal, equilibrando as necessidades dos residentes com a realidade econômica de uma cidade fortemente dependente do turismo.

Rotas e padrões de mobilidade no Funchal: uma leitura territorial a partir de dados digitais e geográficos

LAGOEIRO BATISTA, GABRIELA
2025/2026

Abstract

Urban mobility in the municipality of Funchal is marked by structural challenges arising from its rugged topography, the strong presence of tourism, and a consolidated urban infrastructure that has historically favored the automobile over non-motorized modes of transport. This project starts from the observation that the city faces a growing dependence on individual transport, evidenced by the continuous increase in the vehicle fleet and traffic on the main roads, while the public transport system remains practically unchanged and offers insufficient coverage in higher-altitude areas. The pressure of tourist flows, especially during peak season and on cruise ship arrival days, adds a further layer of complexity to this scenario, generating displacement patterns that compete with residents' commuting flows for the same road infrastructure. Given this context, the research aims to analyze mobility patterns in Funchal through the collection and interpretation of digital and geographic data, based on the premise that sustainable urban planning depends not only on engineering solutions but on a territorial reading grounded in data that reflect the reality experienced by residents. The investigation combines institutional statistical information, geospatial data from open platforms such as OpenStreetMap and Mapillary, and a survey applied to the academic community of the University of Madeira, chosen for sharing a common destination and a diversity of geographic origins that reproduces, on a smaller scale, the territorial heterogeneity of the city. The results confirm a strong polarization between bus and car use, with active modes of transport practically absent from daily commutes, while also identifying the main congestion hotspots and the coverage gaps in the public transport network. In addition, the work incorporates insights gained from an internship carried out at a Foundation and European Association responsible for managing a historic slow-mobility and sustainable tourism route, an experience that reinforces the idea that data generated by the territory's own users can feed more participatory and continuous planning processes, in contrast to traditional statistical collection methods, which are costly, sporadic and poorly attuned to the everyday dynamics of mobility. Based on this diagnosis, the development of MatchMobility Madeira is proposed, as a digital co-mobility and geospatial analysis platform designed to integrate, within a single system, the informal carpooling networks already present in the community, public transport and the island's historic pedestrian infrastructure. The proposal does not aim to replace public transport or impose an abrupt behavioral change, but rather to create the conditions for a gradual and advantageous transition toward more sustainable mobility patterns, while continuously and automatically generating data useful for the municipality's urban planning. In this way, the work seeks to demonstrate that the integration of digital data, geographic territorial analysis, and the perspective of the users themselves constitutes a viable path for rethinking mobility in Funchal, balancing the needs of residents with the economic reality of a city heavily dependent on tourism.
2025
Routes and mobility patterns in Funchal: a territorial reading based on digital and geographic data
A mobilidade urbana no concelho do Funchal é marcada por desafios estruturais decorrentes da sua topografia acidentada, da forte presença do turismo e de uma infraestrutura urbana consolidada que historicamente privilegiou o automóvel em detrimento dos modos não motorizados. Este trabalho de projeto parte da constatação de que a cidade enfrenta uma dependência crescente do transporte individual, evidenciada pelo aumento contínuo da frota de veículos e do tráfego nas principais vias, enquanto o sistema de transporte coletivo permanece praticamente inalterado e com cobertura insuficiente nas zonas de maior altitude. A pressão do fluxo turístico, sobretudo nos períodos de alta temporada e nos dias de escala de cruzeiros, acrescenta uma camada adicional de complexidade a este cenário, gerando padrões de deslocamento que competem com os fluxos pendulares dos residentes pela mesma infraestrutura viária. Diante desse contexto, a pesquisa tem como objetivo analisar os padrões de mobilidade no Funchal por meio da coleta e interpretação de dados digitais e geográficos, partindo da premissa de que o planejamento urbano sustentável depende não apenas de soluções de engenharia, mas de uma leitura territorial fundamentada em dados que reflitam a realidade vivida pelos residentes. A investigação combina informações estatísticas institucionais, dados geoespaciais provenientes de plataformas abertas como OpenStreetMap e Mapillary, e um questionário aplicado à comunidade acadêmica da Universidade da Madeira, escolhida por possuir um destino comum e uma diversidade de origens geográficas que reproduz, em escala reduzida, a heterogeneidade territorial da cidade. Os resultados obtidos confirmam uma forte polarização entre o uso do autocarro e do automóvel, com os modos ativos praticamente ausentes dos deslocamentos cotidianos, além de identificar os principais pontos críticos de congestionamento e as lacunas de cobertura da rede de transporte público. Complementarmente, o trabalho incorpora reflexões obtidas a partir de um estágio realizado em uma Fundação e Associação europeia ligada à gestão de um itinerário histórico de mobilidade lenta e turismo sustentável, cuja experiência reforça a ideia de que dados produzidos pelos próprios usuários do território podem alimentar processos de planejamento mais participativos e contínuos, em contraste com os métodos tradicionais de coleta estatística, que são caros, esporádicos e pouco sensíveis às dinâmicas cotidianas da mobilidade. A partir deste diagnóstico, propõe-se o desenvolvimento do MatchMobility Madeira, uma plataforma digital de co-mobilidade e análise geoespacial pensada para integrar, em um único sistema, as redes informais de boleia já existentes na comunidade, o transporte coletivo e as infraestruturas pedonais históricas da ilha. A proposta não busca substituir o transporte público nem impor uma mudança comportamental abrupta, mas criar condições para que a transição rumo a padrões de mobilidade mais sustentáveis ocorra de forma gradual e vantajosa para os usuários, ao mesmo tempo em que gera, de forma contínua e automatizada, dados úteis para o planejamento urbano do concelho. Dessa forma, o trabalho busca demonstrar que a integração entre dados digitais, leitura geográfica do território e a perspectiva dos próprios usuários constitui um caminho viável para repensar a mobilidade do Funchal, equilibrando as necessidades dos residentes com a realidade econômica de uma cidade fortemente dependente do turismo.
Urban mobility
Funchal
Open data
Carpooling
Tourism and mobility
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Utilizza questo identificativo per citare o creare un link a questo documento: https://hdl.handle.net/20.500.12608/116331